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O GRUPO DE REFLEXÃO COMO ESPAÇO PA=
RA
CUIDAR DOS CUIDADORES
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* Plinio
Carlos Baú =
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A denominação “Grupo de Reflexão” não é bem conhecida por todos. Começou a ser utilizada= na década de 60 entre médicos residentes de um Hospital Psiquiátrico de Buenos Aires. Não é preciso ser Psicoanalista para saber q= ue em qualquer grupo de pessoas que se reúnem e conversam livremente sobre determinado assunto, ocorre o que chamamos de associação livr= e de idéias. Alguém apresenta um tema, em geral, verbalmente e os outros dão continuidade participando com opiniões numa dinâmica de processos associativos e liberdade de expressão. As experiências do grupo de Buenos Aires,pod= em ser encontradas no texto “Grupos de Reflexión= ” de Alejo Dellarossa= (1979).
= Um dos introdutores dos Grupos de Reflexão no Brasil, foi o gaúcho David Zimerman que em sua obra, a= tribui grande valor a este tipo de atividade “ por propiciar um aprendizado = com experiências a partir do desenvolvimento da capacidade das pessoas de aprenderem a aprender umas com as outras” (ZIMERMAN,1996). Ainda segu= ndo este autor, o Grupo de Reflexão remete a uma tarefa operativa voltada fundamentalmente para o aprimoramento de uma capacidade de reflexão acerca de experiências afetivas, cognitivas ou profissionais que cerc= am a atividade de cada um. Podemos depreender daí que respeitando-se os mecanismos de livre-associação, o tema lançado em cada encontro deve ter a ver com as atividades comuns dos componentes do grupo.<= /p>
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&= nbsp; REFLEXÃO, vem do latim reflexione ( Holanda, 1993) = 211; “ação de voltar para trás, de virar, reciprocidade...volta da consciência, do espírito sobre si mes= mo, para examinar o seu próprio conteúdo por meio do entendimento= , da razão...meditação...contemplação...consi= deração atenta...ponderação.”
*
Médico Cirurgião Geral
Professor do Departamento de Cirurg=
ia da
Faculdade de Medicina da PUCRS
Membro Titular do Colégio
Brasileiro de Cirurgiões
Coordenador do Grupo de Reflex&atil=
de;o
do Hospital São Lucas da PUCRS
Nos qu= inze anos de existência, o G= rupo de Reflexão do Hospital São Lucas da PUCRS, desenvolveu-se e = deu frutos: a partir dos seus componentes foram criados a Pastoral da Saúde e o Comitê de Bioética, primeiro a ser instalado em hospitais brasileiros. Fundamental importância é dada à pluralidade dos componentes do gru= po: funcionários da administração do Hospital e da Faculda= de de Medicina, dirigentes, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais, técnicos e auxiliares de enfermagem, médicos, religiosos, entre outros, constituindo um grupo de cerca de quarenta convidados. A freqüência varia entre vinte e cinco a tr= inta pessoas por reunião. Mesmo aqueles que faltam são considerados importantes: a “cadeira vazia” é uma importante forma de comunicação não verbal e desencadeia sentimentos de fantasia variados.
Nossa experiência permite dizer que na prática, o Grupo= de Reflexão pode ser um importante instrumento de análise do conteúdo emocional presente em determinado momento, naqueles indivíduos, em nossa Instituição. Temos convicção de que é possível diminuir as dificuldades de comunicação, evitar ou elaborar crises nas relações de trabalho e ainda, facilitar o surgimento de capacidades individuais e grupal para a realização de tarefas definidas..
= A importância do Grupo de Reflexão no cuidado aos cuidadores mostra-se, em primeiro lugar, na importância que cada indivíduo sente em participar do grupo. Há um fator terapêutico no conjunto de experiências afetivas, cognitivas, reflexi= vas e laborais com as quais cada um sente, pensa e age, de sorte que cada um influencia e é influenciado pelos demais. (OLIVEIRA JUNIOR, 2002) . Outro sentimento que pudemos observar diz respeito ao nivelamento funcional= e intelectual do0s indivíduos pertencentes ao grupo. Segundo ZIMERMAN,= a heterogeneidade do grupo aumenta sua interação e integração.
A reunião de pessoas de diferentes posições den= tro da nossa Instituição tem permitido o desenvolvimento de capacidades como percepção, conhecimento, comunicação, ação e reconhecimento, capacidades estas que transcendem ao pequeno período da reunião, e contin= uam a aparecer na vivência diária, nos diferentes locais de trabal= ho.
Nesta década e meia de funcionamento, observamos entre os componentes do g= rupo a instalação de sentimentos aumentados de solidariedade, sociabilidade e ajuda recíproca, além do crescimento da confiança básica entre cada um deles. Há um “ele= mento facilitador” que emana da reunião mensal e permanece durante t= odos os dias, qualificando e facilitando a ação de cada um.
Há um forte sentimento de “pertenc= ência”, (termo utilizado por Zimerman) que significa qu= e cada indivíduo sente, de fato que pertence a um grupo e é reconhec= ido pelos demais mesmo após o término das reuniões.
Finalmente a meu ver, os cuidadores t&ec= irc;m no Grupo de Reflexão, possibilidade de aquisição e desenvolvimento de uma série de capacidades como percepç&atil= de;o menos distorcida das coisas que ocorrem ao seu redor, maior aproximação do que é o ideal e o real, reconhecimento = de capacidades e limitações, e ainda de diferenças de cad= a um em relação ao outro e, finalmente a possibilidade de uma comunicação que reduza substancialmente o sério proble= ma dos “mal-entendidos”. Ganham, ainda, um amplo espaço de liberdade , criação e contestação.
Em conclusão, trabalhamos muito para a manutençã= ;o de um Grupo de Reflexão em atividade por acreditar que, ao menos parcialmente, aquilo que aqui foi escrito possa ser alcançado pelos indivíduos e pelo grupo, melhorando sua ação diária, para que sejam mais felizes.
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Em
homenagem ao Prof. Dr Antônio Spolidoro,
criador do Grupo de
Reflexão do Hospital São Lucas da PUCRS
REFERÊNCIAS
ZIMERMAN, D.E. Fundamentos Básicos das Grupoterapias, Porto Alegre, Artes Médicas, 19= 93
OLIVEIRA JUNIOR, J.K. Grupos de Reflexão no B= rasil: Grupos e Educação. São Paulo, Cabral Editora e Livraria Universitária, 2002.